Tempo para qualquer lado
Leia abaixo três poemas de "Tempo para qualquer lado", de Letícia Prata:
nada é sonho
tenho as vistas mareadas pelo esquecimento nas mãos trago resquícios do tempo pouco sei de mim estendo o corpo ao vento deixo soprar meus navios sigo inventando tormentas
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a sineta da infância
fincar os pés na areia quente e desviar das águas vivas esmiuçar sargaços às vezes sou tomada por uma mistura de azeite de dendê e patchuli roupas indianas preciso de um mantra a cigana quis ler a minha mão o anel de Ana ela não deu passo agora os olhos no jornal o celular ao lado contenho os dedos não há boas notícias o amargo não me sai da boca para que ter olhos? dói tudo agora sempre dói os ossos e um tremor - ai os meus cansaços as canções pouco resolvem quero meu pátio de cimento o papagaio a relembrar - tá tudo dentro tá tudo dentro o som da infância reverbera na amplitude do pequeno espaço da sala
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espanhola
a boneca espanhola veio de terras distantes embrulhada em fitas douradas a boneca de vestido azul e rendas negras foi despida em uma manhã de domingo lá foram ela e a menina construir castelos na areia molhada lá foi a menina descuidar-se entre o sol o sonho o vento a água lá foi a boneca mar adentro em um pequeno lapso de volta para casa
Sobre a autora:
Natural de Salvador, BA, graduou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia e é Mestre em Direito pela PUC/RS. Reside em Porto Alegre desde 1994. Exerceu a docência acadêmica, como professora do Curso de Graduação em Direito da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA); e, como convidada, no Curso Livre de Mediação, da Faculdade de Direito da Unime, em Salvador (mar./2002 e jul./ 2003). Encontra-se vinculada aos quadros do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, desde 2000. Como escritora, publicou poemas no Jornal A Tarde e na Rev. Exu, da Fundação Casa de Jorge Amado, Salvador, BA. Em 2012, lançou o livro Lã e linha do horizonte, poesia, pela editora Mondrongo, BA. Participou da coletânea Poetas da Bahia II e III, editada pela Expogeo, BA (2003 e 2015), do Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia, editado pela CEPA (2015) e da Santa Sede, crônicas de botequim, editora Buqui, Porto Alegre ( 2017).
Informações do produto:
Capa comum: 128 páginas
Formato 14x21
Editora Libertinagem 1ª edição
São Paulo, 2022
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