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Relatos para apanhar, de Fabiana Vanz

Relatos para apanhar, de Fabiana Vanz

Leia abaixo dois textos que compõem Relatos de apanhar, de Fabiana Vanz:

 

Mulheres (apaixonem-se em espanhol)

 

E se em francês apaixonar-se é o imagético, trágico e existencialista "cair amoroso", feito anjo que perde as asas, em inglês trata-se de cair no (lugar idílico que é o) amor. Sou brasileira, e por aqui temos uma palavra para isso que não inclui “amor”. E, se minha brasilidade não me permite evitar a sílaba "xô" de apaixonar-se...? Bem, aí vai um dedinho de loucura:

 

É que se você tiver um inimigo deseje-lhe uma paixão, alguém disse. Não me recordo quem, mas diria que foi um homem... (os homens temem todo o tipo de fogo, pois jamais estiveram deveras nele). Insensatez e desvario é não ter uma paixão. Choca-me um tanto, no entanto, o quanto uma mulher pode perdurar na fogueira do desejo apaixonado. Eis uma resistência. Bem, eu na próxima vida, estação ou Carnaval, não me apaixono: enamoro-me em espanhol

 

(que é para ver se faço dessa fogueira um lugar um tanto mais habitável...).

 

***

 

Não poderia ser diferente

 

Não poderia ser diferente, porque sou eu, porque é você. Ah você! Ainda vai saber: da piscina, margarina, Brian Jones e a bailarina (aquela que dança, por vezes, sozinha). Te falei mil vezes, do ursinho Pooh, de Brian Jones, da semeadeira... E você, é claro, não entendeu minhas reverências, são tantas. Sei que o acaso é liberdade e poesia! Você vai entender... não posso nos proteger de qualquer coisa, só de algo: es-pe-ci-fi-co. E então vai falar português: saudade? Talvez eu não esteja lá para escutar, pouco importa: todos sabem, há dez mulheres para cada homem e alguém estará. Sempre haverá uma mão, amiga e feminina. Ainda que tenha pés grandes e sujos demais. (No mais, qualquer coisa da maior importância sempre acontece e puff, tudo desmorona ou se edifica, como tirar palitinhos). E isso é a vida que segue: mas nós não paramos de brincar de segue-segue, de cabra cega. Contudo, eu sei que não se joga palavras ao vento e sem intenção. E quando você não está, você não sabe, mas bebo na sua caneca e sigo sem entender você e porque você tem uma caneca só sua... Vai saber, talvez se você visse a bailarina dançando, sozinha e se se encantasse com seus movimentos ao acaso. Ela que não tem uma caneca só sua, porque tem todas as coisas que escolhe chamar por este nome.

 

  • Sobre a autora:

    Fabiana Vanz Dias (1986, São Paulo) é formada em Artes Visuais. Foi professora de francês e educadora. Publicou Sobre a coragem do medo e outras loucuras sãs (2020), crônicas; duração do eco (2022) e Desconsertos (poemas travados num divã em automar) (2023), poesia, pela Editora Patuá. Nem corvo nem rouxinol (2021), pela editora Penalux. Dobra de rio (2024), pela editora Caravana Editorial, e Dedos (2025), pela editora Mondru

  • Informações do produto:

    Capa comum: 110 páginas

    Editora Libertinagem: 1ª edição

    São Paulo: abril de 2026

    Formato 14x21cm

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