Leão e o Unicórnio: a arte da lembrança
Leia abaixo um trecho de Leão e o Unicórnio: a arte da lembrança, de Vannie Gama:
15:35.Cruze uma pequena ponte branca sobre um canal absurdamente escuro, e chegue a esta construção às 15:35. Com uma boina Rosa e um perfume floral, sou recebido por essa primeira artista. Apenas nós dois na rua. Ela me pede para desligar o meu celular e colocar uma venda depois que entramos em um elevador pequeno: nosso destino era o terraço. ‘’Estou do outro lado do mundo, em um elevador, com meu celular desligado e pronto para colocar uma venda, sem saber o nome de ninguém, a não ser, ‘’The White Rabbit’’ e ‘’The Black Cat’’, que eram Mina White-Rabbit e Astrid Mintchtov. ‘’Tudo bem, já estamos aqui mesmo, afinal!’’
Delicadamente a venda preta tornou-se meus olhos. Escuridão. Confiança. A arte já começava ali, e eu podia sentir que nada mais seria como antes. Eu havia lido repetidas vezes no voo e nos dias anteriores os poemas que me foram enviados antes de chegar ali, ‘’Why are we here?’’, ‘’.. a Journey awaits all of us’’.
O som da porta do elevador se abria e sons das pessoas ali presentes começavam a misturar-se com pequenos ruídos de porcelanas e tecidos. Alguém me pegou pelas mãos e o cheiro do incenso se tornava a única orientação de confiança, mais do que quaisquer palavras pronunciadas. Gentileza, pequenos risos. Retiro minhas botas e sou levado para algum lugar e sou orientado para sentar-se. Somos apresentados aquele ambiente coletivo. A performance começa, ‘’Do you rememeber?’’.
Gengibre, a introdução de outros pares. O processo se repete, e o chão de madeira passa a trazer conforto tanto quanto aquele poema que repetia, trazendo areia para a memória, um deserto coletivo interrompido pela urbanidade da diversão – que interpolação fabulosa, a de poder estar no passado e no presente, simultaneamente. Algum vinho branco, cenouras cruas. A mastigação alheia, a sensação do próximo passo se aproximava, e o pensamento mantinha-se apenas em:
‘’Enjoy the deconstruction’’.
Sobre o autor:
Vannie Aurin P. da Gama é um escritor, artista não-binário e pesquisador brasileiro nascido em 1997, doutorando no programa interdisciplinaire en études semiótiques do département d’estudes littéraires da Université du Québec à Montréal (2025-). É mais conhecido pelo seu trabalho artístico visual interdisciplinar, tendo recentemente participado na VI International Biennale of the Fine Art Nude de Montenegro, com a obra ''Intersexself'', em 2024, na Residência Artística The Rabbit Hole e no salão ''Echoes of the Self'' em Paris também em 2024. Em 2025, inaugurou a exibição ''Botânica, atlântica astropoética: retratos simbolistas e outros contos visuais''. Pai de pet, plantas e projetos parafernalhentos (teóricos, práticos, orgânicos ou não).
Informações do produto:
Capa comum: 250 páginas
Editora Libertinagem: São Paulo
1ª edição: fevereiro de 2026
Formato 14x21cm
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