Beber o mar parece uma boa ideia, de Pedro Índigo
Leia abaixo três poemas de Beber o mar parece uma boa ideia, de Pedro Índigo:
Beber o mar
Beber o mar parece uma boa ideia Me encher do caminho mais antigo Descobrir todas as suas glórias Honrar todas as suas mortes
Beber o mar deve ser uma boa ideia Engolir cada parte do mundo Todos os oceanos Criar dentro de mim mapa hídrico
Beber o mar soa como boa ideia Saborear toda a sua poesia Desbravar a melancolia do blue E o frescor romântico do azul
E beber o mar pode mesmo ser boa ideia Talvez o sal me faça lembrar De como gostava da água doce E eu valorize mais o beber de casa
Beber o mar parece uma boa ideia Talvez não seja Talvez seja péssima Mas eu não saberei até tentar
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Baby 99
Seu olhar é doce Sua boca é linda O seu riso é frouxo E seu humor igual ao meu
Seus cachos são belos Seus toques são terno Mas nossos beijos fervem Quentes como o inferno
Quando deitamos na cama Ou deitamos no papo Deito no teu sorriso E já passou das quatro De tanto sentir seu ombro amigo E seus lábios de namorado
Nos despedimos de novo Nos vemos as vezes As vezes passam meses
Mas todo encontro relembra: A espera vale a pena
Trocamos saliva E olhares Falamos da vida E dos pares
Ficamos em paz, sem ligar Pro tempo que passa Sem nos esperar
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Memória no corpo
Eu não esperava De certo nem mais buscava Ainda que, é verdade, fantasiava Que a gente fosse um dia rolar
Já tinha desacreditado Te visto com outros olhos e acreditado Que apesar desse sorriso ousado Você seria só outro amigo meu
Mas em uma noite ordinária Bebendo uma garrafa qualquer E conversando como quem não quer nada Algo reacendeu
Seus olhos na minha cara Minha coxa na sua colada Minha música tocando alta E minha vontade de você sendo lembrada
E aí tudo virou fogo Teu olhar amigo virou desejo E eu nem pensei mais no meu sono
Nos devoramos após poucas palavras Com perigo de sermos pegos Vivendo uma aventura Pensando no volume do nosso beijo Tínhamos companhia, é verdade Mas não conseguimos nos conter
E durou por diversas horas Repousava ali em minhas mãos Seu desejo de me consumir E minha incapacidade de dizer não
Depois bateu o sono Afinal passavam das cinco Mas não houve na manhã vergonha Só a memória no corpo comigo
Sobre o autor
Pedro Índigo é um poeta e professor natural de São Vicente, litoral de SP. Formou-se em Letras - Português/Inglês pela Universidade Federal de São Paulo em 2021. Pedro é autor das zines “Maré Alta”, “Poemas do assento 43”, “Olhar o céu nem sempre ajuda” e “Notes on being too much” – sendo esta última inteiramente em inglês. Também já realizou um podcast de poesia gravada chamado “Maresia” que possui duas temporadas. Seus poemas transitam por diferentes estilos e tem como pauta as sensações mais intensas, cruas ou idealizadas que as relações humanas causam.
Sobre o produto
Capa comum: 120 páginas
Editora Libertinagem, 1ª edição
São Paulo, janeiro de 2024
Formato 14x21
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